And who has that much time?
And how do you keep your feet on the ground?
When you know you were born, you were born to fly
'Cause I will soar away like the blackbird
I will blow in the wind like a seed
I will plant my heart in the garden of my dreams
And I will grow up where I wander wild and free."
Sara Evans, Born to Fly
http://www.youtube.com/watch?v=z9Sgn0SQB_I
É assim. Sabe aquela inquietação irremediavelmente insuportável que te faz querer estar em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo? Aquela vontade de caminhar pelas ruas da cidade como se fosse protagonista de comercial de absorvente íntimo feminino (ou de creme de barbear para os homens)? Aquele sonho que te faz dormir em pé, sentado, trabalhando, conversando, rindo ou chorando? Aquela ansiedade por conquistar? Sabe? Eu também. E é essa a nossa ferida de hoje. A ferida da PRESSA.
E essa música fofa aí em cima fala sobre isso. Ou não. Mas hoje eu quero que fale, e o blog é meu, eu que mando.
Eu me mudei pra São Paulo para conquistar. Não meus sonhos, não uma carreira, não um emprego, não um nome, mas uma identidade. Isso porque em Brasília eu já fui de tudo, menos aquilo que eu realmente quis. Logo, assim que eu descobri aquilo que eu queria fui para o lugar mais próximo possível dos desafios que eu precisava enfrentar. E haja desafios, viu?! (mas não é essa a ferida aberta de hoje. continuando...). O fato é que como eu vim para cá com uma missão interna gigantesca, a pressa em conquistar o externo ficou fraca. E tem continuado.
Percebi isso ao observar as pessoas dessa cidade e principalmente da minha área de atuação (canto e teatro). Pessoalzinho ansioso viu? É um tal de 'vamos abraçar o mundo inteiro com as pernas enquanto ainda existe mundo' que me deixa até tonta.
As pessoas aqui pensam tanto em conquistar nome, reconhecimento, fama (seja qual for o tipo dela), emprego, status, grandeza que se esquecem um pouco daquilo que as fez começar toda essa saga em primeiro lugar: A arte.
E me desculpem, mas eu não consigo aceitar que a arte possa ser tratada como produto meramente lucrativo. Isso tudo gera concorrência, que gera maldade, que gera mágoa, que gera bloqueio, que gera esfriamento, que gera afastamento, que gera uma morte lenta de uma paixão sem a qual minha profissão não suporta viver, que gera a morte.
E tá boa, que eu vou aceitar ter saído de perto da minha família, dos meus amigos de infância, do meu conforto pra aceitar morrer na praia só porque as pessoas tem pressa demais. Só porque elas preferem estar debaixo dos holofotes do que ralando a barriga em pesquisa e aprofundamento.
Não que eu não concorde com o que diz a música. É muito chato mesmo esperar sua hora chegar. Parece mesmo que demora muito. E irrita um pouquinho saber que você merecia estar em lugar melhor do que está hoje. Dá mesmo vontade de voar por aí. Mas nada disso é melhor do que estar plantado com os pés no jardim dos sonhos. Mesmo. Viver todos os dias um pouquinho daquilo que se sonha é garantia de viver isso para sempre. E, quem sou eu para querer uma vida pequena e medíocre?
Assim como não acredito numa arte burra, pequena e superficial, não acredito numa vida pequena, burra e superficial. Sei que quando se trata a vida de dentro para fora, se conquista muito mais.
Não tenho pressa em conquistar meu objetivo porque tenho absoluto tesão (com o perdão da palavra) em viver o processo.
E eu tenho certeza absoluta que é esse processo prazeroso que vai me tirar do chão. Porque eu nasci pra isso.
Portanto, quer saber de uma coisa? Que os apressados fiquem com a superfície. Eu to atrás mesmo é do recheio!!!
Beijo demorado pra vocês!

Um comentário:
Entendo o que vc fala , e até concordo em parte, mas pense que vc talvez tenha mais serenidade, por estar em um patamar de estudo mais elevado que as pessoas que se relaciona, realmente a ansiedade diminui e a pressa quando já estamos em mais da m
etade do caminho.
Mas concordo que a humanidade, sentimentos ,caráter e valores são descatados por muitos que querem chegar ao topo rapidinho!
Uma desgraça!
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