domingo, 27 de junho de 2010

Toca na honra!

As cadeiras estão arrumadas. Lado a lado elas indicam o lugar onde a platéia irá dentro de alguns instantes passar a existir.
O palco está pronto. Está à espera de quem o fará ser o que ele é.
A iluminação está afinada, pronta para indicar quem se deve olhar.
Decora o texto, repassa as marcações. Repassa o texto e decora as marcações.
O coração num ritmo acelerado vai funcionando como um cronômetro. Como quem diz: ta chegando. Ta chegando. Ta Chegando. TA CheGanDo. TA CHeGAnDo. TA CHEGANDO.
É. Ta chegando.
Agora são as extremidades que controlam o coração. Como se todas elas juntas estivessem fazendo força para levar até o palco quem lá precisa estar.
Uma pausa.
Não é pra qualquer um.
A platéia lotada aguarda como quem nem sabe o que acontecerá. Eles conversam sem se concentrar.
Mas a platéia que mais interessa está lá. De mãos dadas.
Instrui, acalma, relembra.
Dá um abraço em cada um e diz: Eu to aqui filho, só pra te ver.
A luz se apaga indicando que vai começar.
No caminho somente o pedido de que corra tudo bem. É preciso apresentar o melhor, para O melhor.
Pés firmes. Olhar firme.
Agora já dá pra se sentir que começou.
Esse é o momento em que só se vê Ele. Ele ta lá, e Ele veio só pra isto.
O texto, incrivelmente sai pela boca como se nunca estivera nervoso.
As extremidades passam a respeitar os movimentos propostos.
Uma sensação de aconchego. De conforto.
Quando acaba e a cortina se fecha resta a euforia, a alegria por tudo ter dado certo.
Resta o vazio.
E agora sem a platéia? O que fazer com todo esse material. O que fazer com toda essa euforia? Pra quem olhar?
Mas ao levantar os olhos vejo que Ele está lá.
Ele se abaixa, estende os braços e abre o maior sorriso que já existiu.
Não resisto e corro ao seu encontro.
O melhor abraço do mundo é seguido das melhores palavras: Parabéns, filho!
Fiz pra você, Pai.
Melhor que ter uma platéia de mil pessoas, é ter nessa platéia aquele que nunca te deixará. Nem mesmo quando a cortina se fechar.
À Ele toda honra, toda a glória, todo louvor, toda a gratidão e todo o talento.
À Ele o meu teatro.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Toca na poeira!!

Quase dois meses depois da última postagem, cá estou para começar a tirar a poeira do meu espaço pra falar o que der na minha telha!
Não é que estive sem assunto, acho que isso nunca aconteceu comigo. É que a vida tava meio bagunçada, aí fica difícil né?
Os amigos começaram a reclamar, alguns leitores anônimos tbm. Mas foi quando a minha família (especialmente meu pai - Oi Papai!) começou a cobrar novos posts que resolvi colocar a minha mente pra jogo e publicação.
Não parei de escrever nesse tempo não... Tem BASTANTE coisa guardada. Vou ver o que vou postando aqui.
No meio desses textos tem 2 que algumas pessoas já conhecem porque me ouviram falar. São 2 monólogos que apresentei.
Explico.
O Pastor da minha igreja é como eu diria: Pra frente. Gosta de se utilizar dos mais diversos recursos para ilustrar o que ele vai falar. Arte é com ele mesmo. Teatro, então!
Foi então, estabelecido o encontro muito oportuno de duas pessoas doidas pra trabalhar.
Daí nasceram esses monólogos. Escrevi como uma encomenda para as mensagens dele e apresentei logo antes das mesmas.
Não sei bem se vai fazer muito sentido pra quem não tava lá. Mas o pessoal pediu pra eu publicar, então taí.
Lembrando que não sou profissional da escrita, muito menos da dramaturgia. Mas eu faço o que posso, ok?
Peço a gentileza de ir com calma no julgamento da obra. Gradicida!

Esse primeiro é um desabafo. Não meu. Da personagem.
Obs: Fiquei com dúvida se postava com os direcionamentos de interpretação ou não. Vou postar um com e um sem. Me avisem o que vocês preferem, ok?

MONÓLOGO 1 - A Sombra

Mulher começa reclamando, parece estar bem nervosa e tem uma certa dificuldade de organizar seus pensamentos. A platéia não sabe com quem ela está falando, nem ao certo sobre o que.

- Você quer que eu te explique?

Ta bom, eu vou explicar [nervosa, gagueja um pouco e repete as palavras]

Assim que eu entender, eu vou te explicar.

Tudinho

Desde quando tudo começou.

[confusa] Quando tudo começou? [pensa um pouco]

O que interessa é que começou.

Vou te dizer agora que não dá mais.

Simplesmente não dá mais para agüentar.

E eu não sei mais o que fazer.

Eu to aqui. Sabe? [reflexiva]

Eu to aqui. [enfática]

Me diz se eu faço alguma, só UMA coisa errada?

Sabe [pensando], a gente se esforça. Pelo menos eu. EU me esforço.

É. Todos os dias. Tendando Ser perfeita.

Ponho a mesa do café, tiro a mesa do café. Eu trabalho também, sabia?

Tenho muuuuita coisa pra fazer.

Passo horas sentada naquela cadeira sem me distrair nem um pouquinho pensando que estou fazendo aquilo por nós. Pela nossa família. [gesticulando bastante]

E você valoriza? [voz e expressão irônicas]

Eu não fumo, não bebo, não minto e sou até simpática. [finge um sorriso]

Pra que? [quebra brusca de expressão]

Quem vê isso? [procurando na platéia]

Te ajudo em tudo que posso.

E eu to aqui!

EEEEEU TO AQUI [batendo no peito]

E você não me vê. [triste, expressão quase nula]

Acho que deve ser isso.

Pronto, descobri. Você é cego.

Não, pior. Você não é cego. Eu é que sou invisível.

Nananão, pior ainda. [meio nervosa]

Eu sou uma sombra. [pensa um pouco]

Já parou pra pensar que ninguém valoriza a sombra?

Claaaaro que quando ta sol, aquele sol escaldante na sua cabeça, nessa hora você pensa: ahhh, que bom seria uma sombra.

Mas alguém pensa em agradecer a sombra? Em dizer: Poxa sombra, muito obrigada por estar aqui! Por estar SEMPRE aqui e nunca me abandonar. Muito obrigada, querida sombra por nunca fazer nada para me desapontar. Obrigada sombra, por não fugir. [pausa]

Talvez seja esse o problema mesmo.

É que o sol sempre chama mais atenção né? Não importa o quanto ele queime a nossa cabeça e nos faça suar, é ele quem tem o brilho.

As pessoas sempre preferem o brilho à sombra.

Aí o sol fica lá, sendo o preferido e ganha toda atenção. Qualquer coisa que ele peça, mesmo sendo completamente sem juízo ou razão de ser, ele recebe.

E a sombra? Nem é notada. [muuuita respiração, controlar choro]

Principalmente quando o sol volta.

[pausa]

Só sei que eu to cansada de ser sombra.

Eu não pedi pra ser sombra.

E eu to aqui. [MUITA respiração]

Bem aqui.

Nunca fui embora, eu nunca fugi, eu nunca te decepcionei Pai. [olhar bem fixo na plateia na hora do Pai]

Só queria que vc percebesse isso.

Eu to bem aqui.


O segundo é bem ironicozinho.
“CRENTE EXEMPLAR”
- Bom dia, como vocês estão?
Lindo culto né?
Ahhhh, eu adoro o cultuar ao Senhor logo de manhã quando eu acordo!
Eu amo ser crente. Cristã né, falar que é crente hoje em dia queima um pouco o filme, mas, aaahhh como eu amo ser Cristã!
Amo tanto que nem me restrinjo a só uma igreja. Porque assim, temos que aproveitar o melhor do reino de Deus né?
O melhor culto de domingo de manhã e a noite é aqui mesmo, nessa igreja. Dá uma paz!
Já sábado a noite eu gosto de ir numa outra ali na asa sul, é mais jovem sabe?!
Ah, e quarta tem um culto poderoso numa igreja pentecostal! Uma benção. Quer oração respondida vai lá!
Chato é quando o pessoal começa a pedir pra eu entrar em algum ministério.
Gente, por favor né... eu congrego em 3 igrejas, já pensou se em cada uma eu assumo alguma coisa?
Não daria tempo pra eu ME dar um tempo. Vc sabe, essas coisas que todo mundo precisa. Cuidar da beleza, um SPA, comprinhas... essas coisas!
Mas eu dou o dízimo ta? Cada mês em uma igreja pra ajudar todo mundo! Adoooro ajudar.
Outro dia mesmo eles tavam buscando gente pra evangelizar, tavam juntando um grupo pra ir pra uma cidade satélite dessas e tal. E eu adooooro me envolver né? Mas nesse dia tinha um churrasco do trabalho e nem deu pra eu ir. Pena. Mas tudo bem, porque meu dom nem é evangelismo, né... Eu não gosto de interferir no dom dos outros né. Eu acho que cada qual com o seu dom. outro dia mesmo me veio uma senhorinha me encher a paciência pra eu ajudar na cozinha. Pfff... ta bom que eu vou ficar horas com aquela toca ridículo correndo o risco de sujar minhas roupas. Eu não compro na C&A não minha gente. Crente tem que andar bonito! Deeeeus me livre!!! Falei pra ela na hora que meu dom é serviço, e que eu me dedico todos os dias da semana no meu serviço lá no trabalho que é pra ganhar dinheiro pra comprar essas roupas, e que seria no mínimo incoerente eu participar de alguma coisa que fosse acabar com o meu patrimônio. É Deus que dá. Tem que cuidaar! Imagiina gente... depois eu ia ter que tirar uma parte do dizimo pra repor essa peça de roupa. Nanão.
Ai gente, queria aproveitar pra pedir aqui oração por uma amiga do trabalho. Tadinha, ta passando por um problemão lá na família dela. Não sei direito o que é porque na verdade eu não lembro. Sei que ela ta triste né?! Então, queria pedir oração pra Deus abençoar ela. Eu até traria ela aqui na igreja, mas ela nem sabe que eu sou crente... cristã. Fico meio assim de falar. O pessoal lá do trabalho vive fazendo piada de crente, aí imagina né? Se eu falar, eles vão cair em cima de mim com piadinhas e tudo...
Mas é isso gente.. AH! Essa semana eu terminei de ler a Bíblia. Olha, eu recomendo viu!!! Li ela inteiriiiiinha, e vale a pena!
Então, vc que tem tempo, lê a bíblia!
Porque aí vc vai aprender a ser cristã, assim como eu!
Eu aaaaamo ser cristã!
Graça e paz!


Pelamordedeus, esse último foi uma ironia! Não vão sair repetindo o que essa doida aí em cima disse e ainda dizendo que eu que falei pra ser assim! aiaiai!

É isso.
Muito tempo sem postar gera post grande!
Até (quem sabe) amanhã.
Beijos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Toca no Bazar

Oi gente!
Muito tempo sem postar aqui né?!
Cada vez que eu fico mto tempo sem escrever muita coisa muda!
E a principal é que eu to voltando pra Brasília.
E to com pressa.
Por isso, preciso MUITO da ajuda de vcs. Preciso vender meus móveis, a maioria deles tem 1 ano de uso, mas o preço foi lá pra baixo por conta da pressa!
Se alguém se interessar ou conhecer alguém que precise, POR FAVOR avise aqui nos comentários???
Pooooooor favorzinho!!!
Aqui vai a lista com os preços!!
Beijos


Geladeira 280L Consul com dispenser de água: 500,00


Fogão 4 bocas Cassino (revedrtido para gás encanado): 200,00


TV 21'' LG tela plana : 300,00


Cama box casal: 250,00


TV Philips 21'' (ela é antiga, mas funciona que é uma beleza): 100,00


Guarda Roupas 6 portas, 3 gavetas: 200,00


E ainda tem:
Rack tv marrom: 50,00
Rack tv branco (ou estante): 50,00

sábado, 27 de março de 2010

Ensaio sobre o despertar.

Vou contar uma história.
Ignorem o fato de que é um musical.
Ignorem o fato de que é um musical da Broadway premiadíssimo.
Ignorem o fato de que eu amo musical.
Ignore o fato de que você, provavelmente odeia.
O Despertar da Primavera me chamou muito mais a atenção por ser TEATRO do que por ser MUSICAL.
É com muito pesar que admito aqui que por várias vezes, o que vemos aqui no Brasil não chega perto de ser teatro, temos muitos shows musicais, e pouco teatro. Não é o caso dessa peça. Não mesmo. Nesse caso a música entra onde ela deveria, tendo o papel que deveria que é ajudar a contar uma história. E o faz lindamente.
O clima da peça começa meio denso. Orquestra e atores se empenham pra colocar suavemente uma pulga atrás da orelha do espectador. Quando você menos espera, esse clima de tensão dá lugar a uma inocente voz.
Pronto.
Você já está no palco.
E é lá que você vai ficar, completamente hipnotizado pelos meninos rebeldes e pelo o perdido. Já na 4º música você desenvolve um carinho por esse rapaz esquisito. Querendo que alguém conte logo o motivo de ele ser assim.
Primeiro choque.
Cenas mais ousadas te fazem rir. Aquele riso nervoso de “ai meu Deus do céu, ele ta fazendo isso mesmo?”. Melhor. Um riso do tipo “Ai meu Deus do céu, eu posso estar gostando de ver essa cena?”. Sim, ele está. Sim, você também.
Sem perceber você já está colocando em cheque os seus pudores. Os verdadeiros, e os sociais. Você junto com as personagens se pega com vontade de descobrir. De entender. De saber.
Segundo choque.
Dessa vez a inocência mostra sua face ruim. Você sente raiva. É como se tivesse realmente acontecido com você. A vontade que dá é de sair gritando o que aconteceu. Mas você, assim como elas, não o faz.
Mas não é só a boca que se cala. A sensação que dá é de que todos os seus órgãos vitais se calam junto. Em respeito. O silêncio é cortante. Inquebrável. Doído.
A perturbação continua. Você não entende bem o que está acontecendo. Porque alguém gostaria de sofrer? “Eu nunca senti nada”. E junto com ela você sente.
Você começa a sentir as mesmas sensações. O medo, a vontade de abraçar, a curiosidade, a dúvida, a euforia.
“Eu acredito que não é pecado”
Intervalo. Dá vontade de comentar com todo mundo. Conhecidos e desconhecidos. Dá vontade de abrir uma mesa de debates. E o que mais se ouve nesse momento é: Nossa. Que incrível!
Começa de novo. E numa linda coreografia de gestos você retoma todas as sensações anteriores.
Pronto.
Já está no palco de novo.
Bem na hora de presenciar alguns dos melhores momentos de toda a narrativa.
Você entende a loucura. Você percebe a inocência doce. Dá vontade de pegar no colo. De brincar.
Mas nem ele, nem você aceitam o convite.
De novo o silencio. Agora, sem perceber você está sem respirar. Mesmo. Você sabe o que vai acontecer, mas não consegue aceitar. É como se na sua cabeça você estivesse gritando: NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO. Uma pausa. Ele deve ter ouvido o seu grito.
Não.
De novo sem respirar mal dá pra perceber as lágrimas escorrendo.
O momento que a mão toca o peito é o momento que a respiração volta, junto com a percepção do que realmente está acontecendo. E mais lágrimas. Muitas delas.
Os adultos.
A vontade de gritar retorna. Mas agora o grito é outro. Apontando culpados.
Outro choque.
Agora choque de palavras.
BLA BLA BLA
O que são as palavras? Deixa falar!
Seus pés se balançam no ritmo e você se pega gostando da música.
Aí, um momento esclarecedor e óbvio para nós seres do século XXI. Como é bom viver em um tempo onde as coisas são faladas, explicadas e aceitas.
Ou não.
Por que, o que acontece em seguida ainda acontece hoje em dia. Em níveis e estilos diferentes mas acontece.
E é nisso que você vai pensar nas horas que se seguem depois do espetáculo acabar.
A peça foi escrita há 200 anos e ainda é atual.
Tudo. Eu disse TUDO o que acontece na peça ainda acontece hoje em dia.
A falta de diálogo, informação. A teimosia. Intolerância. Inocência. Tudo isso acontece hoje em dia de maneira disfarçada.
Não acredita?
NARDONI.
O que mudou foi o veredito.
Eu realmente recomendo. Vá ao teatro Sérgio Cardoso. Sinta tudo isso que eu senti e mais. Muito mais. Eu tenho certeza absoluta que você também vai se apaixonar.
Vou voltar a escrever aqui sobre essa peça mais vezes. Merece.
DESPERTEM-SE!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Vim pra tirar o pó.
Pra dizer que muita coisa mudou.
Talvez coisa demais...
Muita coisa de menos.
Mas mudou.
Mudou o cabelo porque mudou a atitude o que fez mudar a forma de ver, e conseqüentemente ser vista.
Mudou o trabalho porque mudou o foco, que na verdade não mudou, só ficou mais claro, mais evidente e mais corajosa.
Mudou a escola porque mudou o objetivo, que na verdade não mudou, só ficou mais forte, mais real e mais presente.
Em toda essa mudança eu perdi muita coisa. MUITA coisa ficou no caminho dessas decisões. E muita coisa voltou.
E tudo que voltou foi bom.
Voltou a conversar mais com quem tem a mais doce voz do mundo, quem a criou e quem faz tudo fazer mais sentido, Deus.
Voltou a pensar nos outros e em si mesma. A acreditar que essas duas coisas conseguem viver juntas.
Voltou a querer muito.
Voltou a ficar sozinha, o que trouxe várias novas canções e palavras bonitas.
Nesse tempo de transição, muita coisa teve que ser questionada.
Muita coisa está sendo questionada.
A vida mudou muito.
Está mudando.
E tem hora que dá medo. Tanto medo que faz até a extremidade mais extremidade do corpo, a pele, tremer.
Faz a lágrima querer fugir de dentro dos olhos e rolar sobre a face.
Faz o canto virar grito, e o grito virar música.
Faz a noite virar dia.
E o dia virar preocupação.
Faz o passado querer virar presente e o futuro não sair da cabeça, assassinando o presente.
Mas, no meio disso tudo, aquela voz mais gostosa de ouvir faz tudo ter sentido.
E aparecem oportunidades.
Que dão medo.
Mas o novo cabelo, com a nova atitude não permitem a fuga.
Aí, aparece o sorriso, a aceitação, o elogio, o SIM.
Mesmo que não seja um sim completo.
A sensação é de: Ok. É isso. Tá chegando.
Porque, nesse e em outros tempos, todo mundo acreditou. Menos eu.
E agora, está sendo provado pra todo mundo e principalmente pra mim, que tá chegando. e é isso.
É isso.
Muita coisa mudou.
Por isso vim tirar o pó.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vaquinha: julhoNY - Vakinha.com.br


Que tal ajudar a amiguinha?
Se cada um der 10 reais já ajuda de um tanto que vc não imagina!!
Vamos lá?
=)

Vaquinha: julhoNY - Vakinha.com.br

domingo, 10 de janeiro de 2010

Toca na Despedida...


Post mais difícil de escrever até hoje.

Não é tristeza, sabe?
Você sabe!
Não é medo, sabe?
Você sabe!
Não é choro, sabe?
Você sabe!
Não é risada, sabe?
Você sabe!

É tudo junto, ao mesmo tempo, com a mesma intensidade, com a mesma cor.
Todas.

Era pra ser só um garoto prodígio talentoso. Mas as circunstâncias fizeram ser mais. E é muito mais.

Foram momentos de choro que fez ser mais. Que fez crescer um amor fraternal inexplicável.
Foram momentos de muita dor. De um choro que fez crescer. Que fez ferida. Que fez machucado. Que fez uma ponte.
Uma ponte entre 85 e 93.
Entre 17 e 19.
Entre 15 e 23.

Depois, momentos de desgosto, de agonia.
Foram momentos de necessidade de um lar.
Esses fizeram também uma ponte.
Agora, entre 16 e 24.

Entre tudo isso, foram muitas risadas, piadas, músicas, palhaçadas, besteira.
Foi muita conversa, colo, segredo, cumplicidade, compreensão.

Esses últimos são os que duram.

A saudade que eu vou sentir é de olhar no olho.
De ter certeza que está bem.
De ver todo o dia, e não enjoar.
De dar colo quando precisar.

Ao mesmo tempo, a alegria que eu vou sentir é ver no palco a pessoa que, na minha opinião, mais merece estar nele.
Porque o talento é puro.
E o coração também.

A certeza que eu tenho hoje, é que esse é só o começo. E a minha dificuldade é aceitar que é dali pra mais, muito mais. E você sabe. De um jeito que só eu sei que você sabe, que é muito mais!

Aí, as fotos.

Aí, os telefonemas.

Aí, o skype.

Aí, a autoviação1001, rs.

Voa, Deh.
Porque você foi feito pra voar.
Você foi feito pra fazer as pessoas sentirem.
E você, com seus 16 anos faz.

Vou dizer a coisa mais óbvia a se dizer (mesmo porque eu sei que você sabe), mas, eu vou continuar no mesmo lugar de sempre. Desse eu não abro mão. Nunca.
O resto, a gente dá um jeito.

Eu te amo de um jeito que eu não sei explicar.
É amigo.
É conselheiro.
É divertido.
É sincero.
É apoio.
É verdade.
É irmão.

E isso, é em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, NY, Bogotá, Nárnia e Pandora.

Pra sempre!

Obrigada por todas as vezes que vc não me negou um pedido de cara brava, eu sou seu pai, speaking, ã beichos.
Obrigada por me ajudar a ser feliz em São Paulo.
Por me entender.

E por mais que eu não saiba te dizer, nem você saiba me explicar como vai ser esse ano. Eu sei, por tudo isso aí em cima, que a gente vai tirar de letra!

Esse post, gente, não é de ferida não.
É de uma alegria diferente, que vai amadurecer todo o dia.
E não é despedida não.
Eu odeio despedida.

É só pra dizer o quanto eu amo esse meu irmão mais novo postiço melhor amigo do mundo!
Porque é muito!
Viu?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Toca no Rótulo!

Tava hoje conversando com um amigo que me irritou profundamente ao falar que eu era "Brother".
E é sobre isso o Toca na Ferida de hoje!
Não que eu odeie ser rotulada, mas tem uns que, tem dó né?!
O trauma todo desse rótulo específico é que na minha fase de crescimento e chatice adolescênica eu sempre fui mais amiga de meninos mesmo. Só era amiga das meninas que achava divertidas. Porque nunca tive mta paciência pra dramas femininos (de drama feminino basta o meu, certo?). Era sempre meu o ombro amigo na hora de eles chorarem por alguma paixonite mal resolvida (porque vcs acham mesmo que eles iam ter coragem de chorar pra outro menino, rãmm), era sempre eu que tava lá pra dar dicas de conquista, dicas de relacionamento, de reconquista, de moda, de perfume, de presente... Ou seja, acabava virando uma irmãzona mesmo.
Nenhum problema até aí.
O problema vem com a intimidade.
Veja bem, se vc é super amiga de meninos mas não chega a ser brother, eles mantém um certo nível aceitável pela sociedade de educação. Acabam não sendo "eles mesmo" pra não assustar. Porque, se não é brother, existe sempre alguma chance de ser alvo de conquista. Agora, se vc já passou pro nível de brothagem onde já não existe possibilidade na terra de vc ter algum tipo de relacionamento salival com o menino, cuidado. Você vai conhecer um lado dele que vc não quer. ACREDITE em mim.
A quantidade de pum's, arrotos, cacas de nariz que vc presencia não tá no gibi (gíriadavovó.com). Fora os tapas as costas, os palavrões a torto e a direito (gíriasdaantiguidade.com), piadinhas pornográficas, coçadas e mexidas nos "documentos"...
É um mundo, minha querida ferida, que nós garotas bem educadas e criadas nos filmes da Disney (onde os príncipes são homens lindos, arrumados e impecáveis) não estamos preparadas para conhecer.
E é daí que vem o meu ódio por esse rótulo. Porque, como já disse, é um caminho sem volta. Uma vez brother, nunca mais menina!
Aí você começa a sentir falta daquele cavalheirismo onde os homens nos tratam como bonequinhas de porcelana que a qualquer momento podem quebrar.
ok.
Também não é pra tanto.
Cuidado demais vira grude. E grude dá preguiça.
Fato é: Menina vai ser sempre menina, menino vai ser sempre menino.
E é só isso que eu quero que aconteça.
Não quero ser brother nem boneca de porcelana.
E, se for pra me rotular que seja algum rótulo que não me faça sofrer com cheiros horríveis, palavras xulas (gíriasdotioavô.net), tapas e visões do inferno.
Dá pra ser?
Acho que sim né?
heehhehe
Post explicativo para evitar futuras dores de cabeça!!!


domingo, 3 de janeiro de 2010

A pior ferida!

Fui inventar de falar sobre isso no formspring.me e muitas pessoas peruntaram a história. Aqui está ela, numa versão mais "Tim Burton" dos fatos, mas taí! Quaisquer dúvidas, tamo aí! ;)

Dezoito de Dezembro de 2000


Robson_ln, ela escolheu. Escolheu com a mesma pressa de quem não sabe esperar. Mal podia acreditar que finalmente sentiria toda a sensação, que aprenderia todo o gosto para a vida então começar.

Ela não sabia. Ela tinha a vida nos olhos e o amor no sorriso. Carregava a doçura na espontaneidade da inocência.

Ela brincava.

De fora, quem via assistia o invencível, o intocável. Mas ela não sabia.

Ela tinha tempo. Todo o tempo do mundo, mas quis optar por tempo nenhum. Agora era a hora.

E foi.

Ela se vestiu com muito capricho. Cada detalhe tinha uma explicação e esperava que cada centímetro fosse notado.

E foi.

Vestiu calçados de voar, calças de correr e blusa de afastar, mas não sabia porque . Mais tarde o detalhe do cabelo seria notado como ela, neste momento tanto esperava.

Se olhou e viu pela última vez a menina que tantos admiravam. Deu seu último sorriso inocentemente sincero e saiu.

O caminho não era longo, mas tinha o tamanho suficiente para desistir. Ela não entendeu, mas ouviu avisos enviados para tentar impedi-la de sofrer.

Os passos eram curtos e tinham sabor de aventura. Cada um deles trazia consigo palavras que lotaram sua cabeça de perguntas.

E se...?

E foi.

Seu coração já havia desistido de bater num só ritmo e tudo o que ele conseguia ouvir era o grito de uma menina que não soube esperar.

Doía respirar.

Lá na esquina avistou duas grandes amigas: a ansiedade e a imaturidade, e até elas tentaram avisar.

Ela ouviu. Mas distraída como só ela, perdia o raciocínio a cada pessoa que por ela passava. Mas ela esperou.

Toda a dúvida do que, de quem e de como seria logo se transformaria no maior arrependimento de sua vida. A dor mais forte seria lacrada em sua pele, e ela esperava com todo o sorriso serelepe de quem não sabia.

A rua nunca esteve tão movimentada. Estava lotada de espectadores que nada poderiam fazer. Em seus rostos toda a dúvida e a certeza de que ela não deveria estar ali.

Ela estava.

Ela ficou.

O sol quente tinha uma cor de melancolia, ele também sofria. Sofria a dor de ter que assistir a menina brincar de se perder.

Lá longe ela avistara alguém numa bicicleta. Quis que fosse ele mas preferiu não pensar e aguardar a surpresa.

Era lindo.

Vestia tênis de chutar, bermuda de abusar e regata de prender e ela não sabia porque.

Ele sabia.

Ouviu seu nome, era ele. Ela queria e era ele. Ele lhe beijou o rosto e ela sentiu a bochecha tremer. Em suas mãos só conseguia sentir o tremor de um nervoso gostoso, da descoberta do desconhecido. Em sua cintura só conseguia sentir a mão dele lhe abraçando.

Robson_ln. Ele sugeriu um lugar mais tranquilo, não queria testemunhas. Ela, no entanto, gostaria de ter o maior número possível de testemunhas possível, mas ainda não sabia porque.

No caminho conversaram sobre coisas aleatórias, nada pessoal nem íntimo demais e em sua cabeça só a curiosidade se fazia ouvir.

O medo também tentou. Mas só conseguiu mais tarde.

O lugar mais tranquilo era também mais sombrio. Longe de qualquer pessoa. No chão, folhas secas. Muitas folhas secas. A parede pixada e o cheiro eram de abandono, logo mais um cheiro de abuso ia predominar. Mas ficou. Ela ficou.

O abraço foi bom. Sentiu um perfume gostoso. Cheiro de homem. Cheiro de covarde.

Quando sentiu que seus lábios se aproximavam o tempo pareceu andar ainda mais depressa. Ela sonhou com um primeiro beijo em câmera lenta, mas não foi isso que ganhou.

O gosto era bom. A sensação era ótima. Era como se só pudesse sentir sua boca e a dele. O beijo era gentil e delicado. Apenas o beijo era gentil e delicado.

Assim que o restante do seu corpo retomou as sensações, pôde sentir uma mão. Ela não queria a mão dele ali, mas uma amiga lhe ensinou certa vez que em situações assim não poderia fazer escândalo.

Ela devia ter feito escândalo.

Tirou a mão dele, mas ela era teimosa. E foi de novo, por mais três vezes. Nessa última, resolveu informar que aquilo não seria permitido.

Ele não ouviu.

Ela não saiu.

Ele se sentiu no direito de explorar outros lugares do corpo da menina, que começava a deixar o medo lhe falar.

Ele falou para ela correr.

Suas pernas estavam congeladas, suas mãos em estado de choque. Aquilo não podia estar acontecendo.

Primeira lágrima.

As mãos de frieza já tinham agora conhecido grande parte do corpo da menina. Quando ela percebeu suas calças tão caprichosamente escolhidas no chão, quis gritar. Mas não gritou. Foi só quando percebeu sua calcinha sendo retirada que conseguiu reunir forças para empurrá-lo.

Garotos covardes não gostam de ser empurrados.

Ela aprendeu isso ao ver a mão dele se lançar em sua face.

Doeu.

Mas não tanto quanto o empurrão que lhe foi dado logo em seguida.

Ela caiu.

Ela gritou.

Garotos covardes não gostam de gritos.

Ela aprendeu isso quando ele, em cima dela, lhe presenteou com um murro de mãos fechadas.

Agora era só o medo que conseguia falar com ela.

Ela conseguiu virar. Estava de quatro. O menino viu isso como uma oportunidade.

Ela também.

Introduziu suas grandes unhas na batata da perna do monstro. Aos retirar, um pedaço de uma delas ficou. Até suas unhas queriam vingança, mas ela nada conseguiu fazer depois do murro que levou mas costas.

Doía.

Mas não tanto quanto as palavras que ele lhe gritava.

Logo, ele também sentiria dor.

Ele virou a menina e tentou. Ela, nesse momento só conseguiu olhar para o céu e gritar socorro.

Os anjos ouviram.

Três anjos.

Três anjos que lutavam jiu-jitsu.

Garotos que lutam jiu-jitsu não gostam de covardes estupradores.

Eles resolveram ensinar isso à Robson_ln.

Os anjos eram grandes. Só um deles conseguiria com muita facilidade ensinar a lição ao covarde.

A menina olhou por alguns segundos seus defensores deixarem marcas no menino, mas não sentiu nada. As marcas nela eram mais profundas.

Ela estava triste.

Ela estava diferente.

Se limpou e se sentia envergonhada.

Não chegou a ser molestada, mas foi invadida.

Porque esse foi o dia que mudou sua vida. E, se pudesse escolher de novo, teria escolhido outro.

Mas, já que não pode, escreve num caderno de recolher lágrimas, para que através dessa leitura, outros possam escolher melhor suas aventuras.




Deborah Lourenço

30/08/2008