domingo, 27 de junho de 2010

Toca na honra!

As cadeiras estão arrumadas. Lado a lado elas indicam o lugar onde a platéia irá dentro de alguns instantes passar a existir.
O palco está pronto. Está à espera de quem o fará ser o que ele é.
A iluminação está afinada, pronta para indicar quem se deve olhar.
Decora o texto, repassa as marcações. Repassa o texto e decora as marcações.
O coração num ritmo acelerado vai funcionando como um cronômetro. Como quem diz: ta chegando. Ta chegando. Ta Chegando. TA CheGanDo. TA CHeGAnDo. TA CHEGANDO.
É. Ta chegando.
Agora são as extremidades que controlam o coração. Como se todas elas juntas estivessem fazendo força para levar até o palco quem lá precisa estar.
Uma pausa.
Não é pra qualquer um.
A platéia lotada aguarda como quem nem sabe o que acontecerá. Eles conversam sem se concentrar.
Mas a platéia que mais interessa está lá. De mãos dadas.
Instrui, acalma, relembra.
Dá um abraço em cada um e diz: Eu to aqui filho, só pra te ver.
A luz se apaga indicando que vai começar.
No caminho somente o pedido de que corra tudo bem. É preciso apresentar o melhor, para O melhor.
Pés firmes. Olhar firme.
Agora já dá pra se sentir que começou.
Esse é o momento em que só se vê Ele. Ele ta lá, e Ele veio só pra isto.
O texto, incrivelmente sai pela boca como se nunca estivera nervoso.
As extremidades passam a respeitar os movimentos propostos.
Uma sensação de aconchego. De conforto.
Quando acaba e a cortina se fecha resta a euforia, a alegria por tudo ter dado certo.
Resta o vazio.
E agora sem a platéia? O que fazer com todo esse material. O que fazer com toda essa euforia? Pra quem olhar?
Mas ao levantar os olhos vejo que Ele está lá.
Ele se abaixa, estende os braços e abre o maior sorriso que já existiu.
Não resisto e corro ao seu encontro.
O melhor abraço do mundo é seguido das melhores palavras: Parabéns, filho!
Fiz pra você, Pai.
Melhor que ter uma platéia de mil pessoas, é ter nessa platéia aquele que nunca te deixará. Nem mesmo quando a cortina se fechar.
À Ele toda honra, toda a glória, todo louvor, toda a gratidão e todo o talento.
À Ele o meu teatro.

Um comentário:

Débora Abreu disse...

Parabéns, mais um excelente texto! bjinho